23 de maio de 2019

São Paulo, 23 de maio de 2019
por Sol Whitaker

Esse relato trata dos nossos ensaios semanais e em especial, o da data de hoje, quinta-feira, 23 de maio de 2019. Nesse sentido, a minha sensação é de que dentre os demais dias da semana, a quinta-feira tem sido bem diversificada. Essa sensação decorre de que, coincidentemente ou não, ultimamente esse dia da semana tem sido marcado por algumas apresentações de seminários. A meu ver essa dinâmica contribui de alguma forma para a criação de um espaço da troca de ideias, de experiências, de um maior aprofundamento das nossas mitologias pessoais e, na totalidade do nosso trabalho. De todo o modo, até a data dos 23 de maio, ainda não havia sido marcado nenhuma fala ou seminário. Ou seja, nesse dia, ainda sem as falas de temas específicos, as práticas de trabalhos corporais começaram logo cedo do início da noite. Dessa forma, começamos a noite fazendo um trabalho de corpo por meio de um longo alongamento e amplo aquecimento. Durante todo o percurso, a proposta desse trabalho foi procurar expandir os movimentos no espaço interior e exterior do nosso corpo. Nessa perspectiva e de forma ampla, a ideia central tinha como objetivo ocupar os espaços vazios da sala. Na procura de amplitude, de ocupação dos espaços, procurei crescer, expandir e encontrar novos caminhos de pesquisa corporal.

Depois de um longo tempo de aquecimento e de trabalho muscular paramos para um breve intervalo.

O trabalho seguinte foi centrado no nosso – Mandala de Energia Corporal. Nesse sentido, mesmo sabendo da importância de que, em alguns momentos específicos é necessário se fazer um trabalho individual, de um modo geral – venho sentindo a falta de um jogo de dança coletiva. A cada final de ensaio, tenho a sensação de que há uma lacuna dessa natureza a ser preenchida. Ou seja, de se praticar e de se entender ora a necessidade do individual, (esse no momento o percebo bem trabalhado), ora o coletivo, ( esse percebo ainda a ser trabalhado), mas, que no conjunto – “somos um elenco, um todo e único”, ou seja, “um só corpo ” presente. Essa leitura não é de forma alguma uma crítica, mas, o fruto de uma prática e de uma situação circunstancial. Não sei se essa sensação é apenas minha ou se esse fenômeno é fruto do nosso atual estágio de trabalho. Mas, o fato é que durante as danças livres, até o presente, não percebo o grupo como “elenco”. Com relação a essa leitura específica – conversei com o Jorge acerca do assunto. Na ocasião, entendi que ele concordava comigo. Ao mesmo tempo em que ele concordou em outro ensaio, a sua fala para o grupo se voltou para esse fenômeno. Ele foi enfático trazendo dinâmicas de trabalho corporal voltadas para ver e “ser” um elenco/ um todo.

Já com relação às questões mais prementes do dia 23, uma delas foi “endender”, ou melhor, apreender um estado do meu corpo, o qual se tornara um desafio. Ou seja, o de sentir o meu corpo entrando no estado de matéria de uma pedra, para se transformar em outro estado, o gasoso. Nesse processo de busca entendi que, sentir como “ser” uma “pedra” parecia mais fácil. Na verdade, comumente me sinto pedra. Esse estado comumente ocorre quando tenho que levantar da cama da cama muito cedo da manha.  Sinto-me pedra principalmente no inverno. Mas como seria no frio se sentir gasoso? Nessa busca imaginei – como é ser gás ou gasoso?

O gás é intangível. Nesse contexto, a questão que se colocava era  – como ser e estar em um estágio intangível, imaterial? Lembrei-me que durante a nossa imersão, eu tive a sensação de estar em um estado “NADA”. Tive a ideia de ser galho de bambu, de ser matéria em movimento, mas ao mesmo tempo e contraditoriamente, era nada. De fato, naquele momento eu não sentia o meu corpo. Então como senti-lo pedra, mas e também coisa/matéria que se evapora?

 Dentro desse quadro de indagações, me deparei com a ideia de uma garrafa cheia de líquido, de Coca-Cola e do gás nela contido. Dependendo da quantidade de gás ao abrir a garrafa de refrigerante, a pressão é ainda maior e/ou por isso explode. No contexto desse imaginário, me deparei com outras indagações, com outras imagens até que, por fim, me veio a visão de neblina. Pensei em como é ser ou poder “estar” neblina?

Com essa indagação fui pesquisar acerca desse fenômeno da e na natureza. Dentre tantas explicações, segundo PENA, Rodolfo F. Alves. “Como se forma a neblina?”;  Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/como-se-forma-neblina.htm. Acesso em 16 de junho de 2019. A Neblina – ou Nevoeiro – “… é, basicamente, a formação de nuvens em proximidade com o solo por intermédio da condensação da água presente na atmosfera em forma de umidade. Por definição, só pode ser considerada neblina quando a visibilidade horizontal é prejudicada em uma distância de até 1000 metros.

Sabemos que a condensação (ou liquefação) é a transformação da matéria do estado gasoso para o estado líquido. Portanto, podemos concluir que a neblina se forma quando a temperatura do ar é baixa o suficiente para tornar líquido o vapor d’água. Para isso acontecer, claro, é necessário que o ambiente esteja muito úmido, ou seja, com uma grande quantidade de gotículas de água suspensas no ar.

Esse fenômeno costuma ocorrer em regiões serranas, onde a altitude atua na redução das temperaturas e na interceptação das massas de ar úmido advindas de outras localidades. “Portanto, nos horários mais frios do dia, fatalmente se formam os nevoeiros nessas regiões.”

De acordo com a definição de “neblina” acima exposta e na busca de me encontrar com e em um estado gasoso – depois do ensaio do dia 23 de maio, vim para casa com a imagem da neblina. Com essa ideia fui pesquisar com mais acuidade a formação das neblinas para voltar a experimentar e estar de novo a pesquisar a forma de “ser” ou  de “estar” em um estado imaginário liquido e em outro tempo em um estado gasoso. Dessa forma foi como pensei em outro ensaio pesquisar ser e estar o estado “neblina”.

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