26 de abril de 2019

São Paulo, 26 de abril de 2019
por Alice Vasconcelos

conversa sobre a Água com Wolfgang + Esforços + 2ª parte da Serpente (MAE)

“(…) a serpente é o símbolo da vida desfazendo-se do passado e continuando a viver. (…) O poder da vida leva a serpente a se desfazer de sua pele, exatamente como a lua se desfaz da própria sombra. A serpente se desfaz da pele para renascer, assim como a lua se desfaz da sombra para renascer. São símbolos equivalentes. Às vezes a serpente é representada como um círculo, comendo a própria cauda. É uma imagem da vida. A vida se desfaz de uma geração após outra, para renascer. A serpente representa a energia e a consciência imortais, engajadas na esfera do tempo, constantemente atirando fora a morte e renascendo. Existe algo extremamente horrível na vida, quando você a encara desse modo. Com isso, a serpente carrega em si o sentido da fascinação e do terror da vida, simultaneamente.” (Joseph Campbell, “O Poder do Mito”)

pois ao me lançar no espaço, me desfazendo de minha carcaça humana, eu sonho em ser serpente. a cada passo no escuro de movimentos desconhecidos, meus poros abertos transpiram. corro para dançar outra vez. não me compreendo completamente, mas o corpo sempre sabe, pois o corpo deseja. na vastidão do Agora, me instigo a ser sinuosa. a cada respiração, uma profundeza se desvela em mim mesma. me atento aos mínimos sinais. as infinitas espirais dentro dos meus olhos, me deixando um pouco tonta. trêmula. como uma lua refletida sobre o mar. começo, cuidadosamente, a trocar de pele. o menor dos gestos pode ser uma imensa possibilidade de renascimento. tudo é aprendizado. me recomeço, do Zero. me reconheço, cobra-coral cruzando o céu. a sabedoria da serpente está em sua capacidade de ser tanto água quanto fogo, transitar rasteira na terra e também se lançar às nuvens. serpente-pássaro, cósmica dançarina. enquanto danço, me imagino vendo o mundo através de seus olhos estreitos. então eu me fundo com a terra, sou Tudo em um só instante, sinto as vibrações fecundas da Vida … e danço até a minha próxima Morte.

                                                                                                                      Alice.

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